Artigos • 05.10.2020
Importância e Benefícios da Cobertura vegetal do solo

A manutenção e/ou melhoria da qualidade do solo em sistemas de cultivo contínuo é fundamental para garantir a produtividade agrícola e a qualidade ambiental para as gerações futuras. O solo é a base de sustentação de praticamente toda forma de vida na terra e, nesse sentido, a proteção e cuidado com sua camada mais superficial deve se dar de maneira consciente, pois é nela que acontece a maioria dos processos biológicos que regem a sustentação da biota e suas inter-relações.

O sistema plantio direto na palha é considerado o manejo mais sustentável e eficaz na conservação do solo, por todos os benefícios que promove em suas características químicas, físicas e biológicas, como a redução do impacto direto das gotas de chuva, aumento da infiltração da água, diminuição do escorrimento superficial, redução da amplitude térmica e manutenção da umidade, redução da infestação de plantas daninhas, aumento do teor de matéria orgânica, expansão da “janela de plantio”, redução no consumo de combustível e ciclagem de nutrientes, dentre outras vantagens que proporciona.

Este manejo visa o aumento da produtividade com ênfase na conservação do recurso solo, envolvendo a micro e mesofauna, bem como as condições hídricas e físico-químicas, num âmbito mais sustentável ao ambiente, haja vista que, se exclui o revolvimento do solo.

A interferência das plantas daninhas pode causar perdas significativas na produtividade da cultura da soja, devido, principalmente, à competição por luz, nutrientes e água, além de dificultar a colheita (Nepomuceno et al., 2007; Silva et al., 2009).

A produção de fitomassa e a cobertura do solo são fatores que podem auxiliar no controle de plantas espontâneas por meio de processos químicos (alelopatia) e físicos. Uma vez que é possível ter um controle efetivo de plantas daninhas apenas pelo uso da cobertura vegetal consegue-se uma economia enorme com o uso de herbicidas nas lavouras, e com o trânsito de máquinas na área, e por consequência uma agricultura mais limpa.

A técnica de sobressemeadura à cultura da soja, principalmente com a utilização de braquiárias sobressemeadas, mostrou ser importante ferramenta para o manejo integrado de plantas daninhas, proporcionando maior aporte de fitomassa e cobertura do solo e contribuindo para a sustentabilidade ao sistema de plantio direto no cerrado.

Fotos: Fazenda Santa Helena – Proprietário: Carlos Casali e Família.
Fotos da Esquerda: área sem cultivo de braquiária.
Fotos da Direita: área com cultivo de braquiária pós soja safra anterior.

As condições de temperatura e umidade do solo são decisivas sobre a qualidade do ambiente e, por conseguinte, sobre a vida no solo. Assim, a palhada regula, até certo ponto, estes dois ciclos, evita variações muito grandes de temperatura no solo, tornando o ambiente mais saudável para os organismos vivos, nos quais se incluem as plantas cultivadas. A manutenção de resíduo sobre o solo reduz a amplitude térmica na superfície. A proteção aos raios solares é feita pela dissipação de calor, o que leva a uma temperatura até 7ºC menor em relação ao solo exposto à radiação (Kenney et al., 2013)

O solo sob preparo convencional permanece vulnerável a altas taxas de desagregação e transporte provocadas pela ação do impacto das gotas das chuvas e pelo escoamento superficial. Nesse intervalo, a estabilidade dos agregados presentes na superfície do solo é particularmente importante, pois sua fragmentação vai liberar as partículas de areia, silte e argila que os constituem, podendo formar uma crosta superficial, que reduz a infiltração e aumenta a enxurrada, ou serem facilmente transportados pela água do escoamento (Greenland, 1977).

Fotos: Fazenda Paraíso da Serra – Proprietário: Almir Ficagna
Fotos da Esquerda: área com preparo convencional.
Fotos da Direita: área com cultivo de braquiária pós soja safra anterior.

O sistema radicular das braquiárias é bastante eficiente em promover uma estruturação adequada do solo, com formação de agregados estáveis, macroporosidade e canais, proporcionando ambiente favorável para o crescimento do sistema radicular da cultura subsequente, como a soja.

Mesmo que atuando por apenas alguns meses, o sistema radicular de forrageiras como as braquiárias podem contribuir de forma marcante para o crescimento das raízes das plantas subsequentes, como a soja, quando introduzidas sem o revolvimento do solo, isto é, em plantio direto. Após a dessecação e consequente morte da planta forrageira, as raízes iniciam o processo de decomposição, deixando inúmeros canais e galerias no interior do solo, constituindo, dessa forma, um ambiente extremamente favorável ao crescimento das raízes. Essas melhorias no solo são consideradas um diferencial para a lavoura cultivada após a presença da braquiária, pois as raízes das plantas conseguem se desenvolver em maior volume de solo e, consequentemente, explorar melhor o perfil do solo.

A estrutura adequada do solo é aquela que permite bom fluxo de água, aeração do seu interior, resistência à erosão e ao tráfego de maquinários, desenvolvimento de organismos vivos (microrganismos e fauna do solo) e o apropriado desenvolvimento e funcionamento das raízes das plantas. A qualidade estrutural do solo é decorrente das características do solo e também da forma de uso; assim, o plantio direto apresenta-se vantajoso em relação ao sistema convencional por preservar a integridade física do solo e acumular matéria orgânica. O amplo desenvolvimento do sistema radicular das gramíneas é o principal agente agregador de partículas nos solos tropicais, tanto pela liberação de exsudados como entrelaçando pequenos torrões e, consequentemente, formando estruturas maiores. O cultivo de plantas com abundante sistema radicular contribui para a formação e estabilidade de agregados maiores que 2 mm, denominados de macroagregados. Solos que apresentam boa agregação são mais resistentes à erosão e à compactação pelo tráfego de maquinário, apresentando boa aeração e maior capacidade de infiltração de água.

Fotos: Fazenda Paraíso da Serra – Proprietário: Almir Ficagna
Fotos da Esquerda: sistema radicular de plantas de soja cultivadas sob palhada de braquiária
Fotos da Direita: sistema radicular de plantas de soja cultivadas em solo preparado em sistema convencional.

Um dos principais benefícios das gramíneas para o solo é o acúmulo de matéria orgânica em profundidade. Como o sistema radicular está constantemente se renovando, as raízes mortas são decompostas pelos microrganismos do solo, liberando nutrientes e alterando os compostos orgânicos que, também contribui para melhoria das condições químicas, como, por exemplo, aumentando a eficiência da adubação fosfatada e na nutrição das plantas em geral.

A maior ciclagem de nutrientes e a redução de erosão no plantio direto na presença de plantas de cobertura durante a entressafra são apontadas como primordiais para a sustentabilidade agrícola, incluindo o aumento de produtividade das culturas.

O uso de plantas de cobertura é uma alternativa para aumentar a sustentabilidade dos modelos de produção agrícola, podendo restituir quantidades consideráveis de nutrientes aos cultivos, uma vez que essas plantas absorvem nutrientes das camadas subsuperficiais do solo e os liberam, posteriormente, na camada superficial pela decomposição dos resíduos (Duda et al., 2003). Nesse sentido, as forrageiras consorciadas com culturas graníferas podem proporcionar cobertura permanente do solo (Pariz et al., 2011a).

Os resultados esperados, ao cultivar um solo com qualidade, podem ser sintetizados na obtenção de maior produtividade das culturas em anos sujeitos às adversidades climáticas e na redução dos custos de produção, com eventual redução do uso de insumos (adubos, herbicidas, etc.), embora vários outros aspectos possam ser apontados. Esta maior capacidade de a lavoura suportar condições adversas (resiliência) pode ser verificada em regiões onde ocorrem quebras de produtividade decorrentes de veranicos. Nesta situação, as áreas com maior cobertura do solo e maior teor de matéria orgânica apresentam os menores prejuízos.

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