Artigos • 05.10.2020
Sementes Forrageiras do Campo de Produção à Comercialização

O processo de produção de sementes forrageiras é complexo e condicionado por fatores específicos e criteriosos. Toda e qualquer ação determinada pelo ambiente ou pelo homem durante a produção, colheita, beneficiamento e armazenagem das sementes irão atribuir à determinada espécie seu valor para a semeadura. E, são com essas ações que se consegue incumbir no produto final qualidade genética e fisiológica, potencial germinativo além de porcentagem de pureza e vigor.

A depender do tipo de colheita as sementes não precisam passar pelo processo de secagem, quando a colheita é feita pelo método de varredura as sementes caem ao atingir a maturação fisiológica, e ficam sobre o solo e a palhada por um período de dias secando, esse período varia conforme a temperatura e luminosidade do local. Se, por outro lado a colheita é realizada com máquinas automotrizes, as sementes deverão ser secas, pois o método exige que as sementes sejam colhidas antes do processo de degrana do cacho, neste ponto apresentam umidade elevada e junto com as sementes há a colheita de material verde (talos e folhas) que incrementam o teor de umidade. O excesso de umidade é uma das principais causas de perdas, predisposição ao ataque de insetos e fungos patogênicos.

Os lotes de sementes que são entregues nas Unidade de Beneficiamento de Semente (UBS), apresentam inicialmente alta taxa de impureza, grande mistura com espiguetas vazias, pedras, terra, palhada e até mesmo, semente de plantas daninhas, que precisam ser removidas antes da comercialização. Esse procedimento irá resultar em sementes dentro do padrão de qualidade para a comercialização. Então, pode-se definir beneficiamento de sementes como um conjunto de operações destinados a requintar as características de um lote, através da homogeneização e melhoria das qualidades físicas.

Há uma diversidade de equipamentos que separam diferentes materiais entre si, e é baseado nas diferenças das características físicas existentes entre as sementes e as impurezas que ocorre o beneficiamento das sementes. As matérias que são passiveis de detecção pelos equipamentos são separadas utilizando características como tamanho (largura, espessura e comprimento), forma e peso. Assim, geralmente são usadas maquinas de ar e peneiras (que separam as sementes pelo tamanho e diferenças físicas) e mesa gravitacional ou densimétrica que separa as sementes pelo peso específico.

À campo após a colheita, normalmente é realizado a pré-limpeza para a retirada de materiais grosseiros como: matérias inertes (galhos, folhas, pedras e torrões) e
impurezas (semente malformada e quebradas) por uma máquina denominada peneirão. A UBS trabalha com sequenciamento de etapas visando aprimorar a qualidade do lote até atingir o produto final. Inicia-se com a recepção, nessa etapa são identificados os lotes e o produtor, é verificado se tem infestação de pragas, e caso tenha, é realizado uma expurgação, mesmo que o inseto não seja danoso à semente. A seguir as sementes vão para a limpeza, utiliza-se peneiras de fluxo de ar controlado e peneiras vibratória, nessa etapa será retirado grande parcela de materiais inertes e impurezas, porém, o lote ainda contém grande taxa de impureza.

Na mesa gravitacional separa-se as sementes de acordo com o peso especifico, garantindo sementes mais limpas. Essa operação é realizada quando vezes necessárias até obter a qualidade do produto desejado. Um processo muito utilizado que pode ser acrescentado e propicia maior valor agregado à semente é o revestimento. Este processo consiste em aderir materiais inertes, que aumentam o peso e volume inicial das sementes, melhorando a plantabilidade.

O Laboratório de Análise de Semente representa um elo entre o produtor e o consumidor, pois, irá emitir um laudo que qualificam a semente para comercialização. Vale salientar que em todas as fases de produção da semente é possível realizar uma avaliação em laboratório. Nele é feito a análise de pureza (verificar se o lote conter sementes de outras espécies, material inerte ou impureza); o teste de tetrázolio (estima a viabilidade das sementes; se estas possuem dormência ou não); E teste de germinação. Esses laboratórios são credenciados pelo Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). Há legislações estabelecidas pelo MAPA, que impõe padrões à serem cumpridos, desde o campo de produção até a comercialização do produto, seguidas não só pelo Brasil como por demais países importadores e/ou exportadores do produto. O produto após beneficiado é embalado em sacarias definitivas e será mantido armazenado com os lotes identificados até o carregamento e transporte ao consumidor.

O conhecimento dos fatores de produção de sementes de braquiárias e panicuns se faz necessário uma vez que há grandes dificuldades nesse processo, desde a fase de produção no campo, até a comercialização. Todos esses fatores irão refletir no valor cultural do lote final das sementes. É essencial que seja tomada uma série de cuidados e medidas de modo a garantir que as sementes que chegarem ao produtor realmente atendam a normas e padrões estabelecidos pelas Entidades Fiscalizadoras.

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