Artigos • 27.10.2020
Atenção ao manejar as plantas de cobertura de solo.

A presença de resíduos culturais na superfície do solo, sobretudo daqueles
oriundos das plantas de cobertura de solo tem demonstrado nos últimos anos o sucesso e
a sustentabilidade dos agroecossistemas de produção agrícola. Os resíduos culturais
deixados por essas plantas no solo, somados aos resíduos das culturas comerciais em
sucessão ou rotação, promovem a recuperação, manutenção e melhoria das propriedades
químicas, físicas e biológicas do solo, contribuindo para o aumento da produtividade e a
manutenção do equilíbrio do sistema de cultivo

A diversidade de espécies que podem ser utilizadas como plantas de cobertura é
muito ampla, contudo, existe um grupo de espécies com maiores aptidões, características
e com maior potencial para as condições locais. As espécies de plantas de cobertura
possuem diferentes ciclos de desenvolvimento, acumulam diferentes quantidades de
nutrientes, como diferentes produções de massa seca (MS) tanto da parte aérea como das
raízes, o período de permanência dos restos vegetais sobre a superfície do solo é variável
em função da velocidade com que a decomposição do material acontece e das práticas de
manejo adotadas.

Para utilizar a palhada como função de cobertura do solo, e para que esta não
influencie negativamente a cultura em sucessão são necessárias informações que
esclareçam sobre o período ideal entre a sua dessecação e a semeadura da cultura. A época
de manejo/ou dessecação dessas plantas tem influência no bom desenvolvimento da
cultura de verão e em todos os benefícios que ela irá proporcionar para o sistema. Alia-se
a essa questão a observação de fatores relativos ao maquinário que será utilizado na
semeadura da cultura, espécie de cobertura e quantidade de palhada presente na área.

Por exemplo, se a semeadura for realizada logo após a dessecação, pode haver
dificuldades na operação das máquinas, aumentando os índices de patinagem, ou
embuchamento no maquinário devido ao excesso de resíduo vegetal sobre o solo, como
também dificuldade com o recobrimento das sementes, uma vez que os discos não
conseguem efetuar o corte e aprofundamento da semente, deixando-as descobertas. Pode
haver liberação de substâncias orgânicas pela decomposição da palhada, exercendo efeito
alelopático sobre plantas daninhas e sobre a própria cultura.

No entanto, se o intervalo entre a dessecação e a semeadura for maior, menor será
a quantidade de palha remanescente sobre a superfície do solo até o momento de
fechamento das linhas da cultura sucessora, podendo provocar elevada infestação de
plantas daninhas, aumentando as chances de erosão do solo devido à sua maior exposição,
consequentemente diminuindo a produtividade da cultura.

Sendo assim, atentar-se e adequar o período entre a dessecação da cobertura
vegetal com a época de implantação da cultura de verão, contribuirá para a melhoria da
quantidade e da qualidade dos resíduos vegetais, dos quais o sistema plantio direto é
estreitamente dependente contribuindo para obtenção de boa produtividade das culturas
e conservação do equilíbrio do ambiente produtivo.

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